Contexto e problema observado: por que essa ação e não outra

Antes de qualquer trecho, um aviso necessário: tudo nesta página — nomes, bairro, instituição parceira, números — é inventado de propósito para ilustrar a escrita. Nenhuma atividade aqui descrita foi realizada.

TRECHO DO EXEMPLO (fictício): "Durante as aulas de Política Social II, a turma discutiu a baixa procura espontânea pelo CRAS em territórios periféricos. Em conversa informal com moradores da Vila Esperança (nome fictício), a estudante Mariana (nome fictício) percebeu que parte da comunidade desconhecia a existência do equipamento e os critérios de acesso a programas como o Benefício de Prestação Continuada. O problema identificado não é a ausência do serviço — o CRAS existe e funciona —, mas a distância informacional entre o morador e a porta de entrada do SUAS."

COMENTÁRIO: Observe que o trecho ancora o problema em uma observação concreta (a conversa com moradores) e não em uma estatística genérica sobre "milhões de brasileiros". O roteiro da disciplina costuma pedir que o aluno demonstre como chegou àquele recorte. Repare também no limite profissional: Mariana identifica uma lacuna de informação, não assume que vai "resolver" o acesso ao benefício. O assistente social do CRAS é quem faz acolhida, estudo de caso e encaminhamento. A extensão do aluno para na porta da informação.

Erro frequente: o estudante descreve o problema como se fosse uma pesquisa acadêmica com amostra e método. Para a disciplina de extensão, basta mostrar a situação observada, o território e a pergunta que motivou a ação. Se o seu roteiro pede referência teórica, cite a literatura da Política Social ou do SUAS, mas não invente dados.

Público e local: quem participa e como se chegou até eles

TRECHO DO EXEMPLO (fictício): "A ação será realizada no Centro Comunitário Raízes (nome fictício), espaço cedido pela associação de moradores da Vila Esperança. O público-alvo são moradores adultos do bairro que ainda não acessaram o CRAS ou que têm dúvidas sobre critérios de programas socioassistenciais. A aproximação com a associação foi feita pela própria estudante, que se apresentou à coordenação do centro, explicou a proposta e obteve autorização por escrito para uso da sala aos sábados."

COMENTÁRIO: O roteiro da disciplina geralmente pede três coisas nesta seção: quem é o público (descrito sem expor vulnerabilidade individual), onde a ação acontece e como o contato foi estabelecido. Dizer "a estudante se apresentou à coordenação" é suficiente; não é preciso detalhar reuniões internas da associação. O que importa é mostrar que houve consentimento da comunidade e que o aluno não entrou no território por conta própria sem diálogo.

Limite ético específico de Serviço Social: evite descrever o público como "famílias carentes" ou "população vulnerável" de forma genérica. Prefira descrever a relação do grupo com o serviço — por exemplo, "moradores que ainda não acessaram o CRAS". Isso preserva a dignidade e evita a lógica tutelar que o Código de Ética do/a Assistente Social critica.

A quantidade de participantes, se o roteiro pedir, varia conforme a orientação do professor e a capacidade do espaço. Não há um número fixo universal. Consulte o material da sua disciplina.

Objetivo geral e objetivos específicos escritos como o roteiro pede

TRECHO DO EXEMPLO (fictício): "Objetivo geral: Informar moradores da Vila Esperança sobre os serviços ofertados pelo CRAS e os critérios gerais de acesso a programas socioassistenciais, contribuindo para reduzir a distância informacional entre comunidade e SUAS. Objetivos específicos: (1) Apresentar, em linguagem acessível, o que é o SUAS e quais equipamentos existem no território. (2) Explicar os critérios gerais do BPC/LOAS e do Programa Bolsa Família sem analisar casos individuais. (3) Entregar um material impresso com endereço, horário e telefone do CRAS mais próximo. (4) Encaminhar dúvidas que extrapolem a informação para o próprio CRAS, sem realizar atendimento."

COMENTÁRIO: Note que todos os verbos estão no infinitivo e que nenhum objetivo promete "resolver", "garantir" ou "atender". O verbo "informar" e "apresentar" delimitam o escopo. O objetivo específico 4 é crucial: ele deixa explícito o que o aluno NÃO fará. Isso protege o estudante e respeita a reserva de atuação do assistente social.

Se o roteiro da sua disciplina usa outra estrutura (por exemplo, pede um único objetivo geral e três específicos), adapte a quantidade. O formato varia por curso, matriz e período letivo. O que não muda é o conteúdo: verbos de informação e orientação, nunca de intervenção profissional.

Erro frequente: escrever "capacitar a comunidade" ou "empoderar os moradores". Esses verbos sugerem uma relação de cima para baixo que contradiz a perspectiva crítica da profissão. Prefira "informar", "socializar", "apresentar", "dialogar sobre".

Justificativa ligada ao curso de Serviço Social

TRECHO DO EXEMPLO (fictício): "A ação se articula com a formação em Serviço Social porque exercita a dimensão socioeducativa da profissão, prevista no Código de Ética do/a Assistente Social e na Lei 8.662/1993. A estudante pratica a tradução de linguagem técnica para o cotidiano, habilidade central para o trabalho em CRAS, CREAS e organizações da sociedade civil. Além disso, a experiência permite observar, em campo, como a política de assistência opera no território, complementando o conteúdo visto em Política Social e em Fundamentos de Serviço Social."

COMENTÁRIO: A justificativa não precisa ser longa. O roteiro costuma pedir que o aluno conecte a ação a pelo menos uma disciplina da grade e a uma dimensão da profissão. Aqui, a conexão é com a dimensão socioeducativa — não com a dimensão técnico-operativa de atendimento individual. Essa distinção é o que separa a extensão de Serviço Social de um estágio em CRAS.

Não afirme que "a universidade exige X horas" nem que "o MEC determina Y encontros" como se fosse regra única. A carga horária e o formato mudam conforme a matriz curricular do seu curso e o semestre. Verifique no ambiente acadêmico da sua instituição.

Evite justificar com frases genéricas como "é importante para a sociedade". Diga qual competência da formação em Serviço Social aquela ação exercita: leitura de território, mediação entre linguagem técnica e linguagem cotidiana, conhecimento do SUAS na prática.

Metodologia: o que foi feito, em que ordem, com que material

TRECHO DO EXEMPLO (fictício): "A ação foi dividida em três momentos. Primeiro, uma roda de conversa de 40 minutos em que a estudante apresentou, com apoio de cartazes, o que é o SUAS, o que o CRAS oferece e quais documentos o morador precisa levar na primeira visita. Segundo, um bloco de 20 minutos para perguntas livres, em que a estudante respondia apenas com informação geral; quando a dúvida envolvia situação pessoal (exemplo fictício: 'meu filho tem deficiência, consigo o BPC?'), a estudante explicava o critério legal de forma genérica e orientava a procurar o CRAS para análise do caso. Terceiro, entrega de um folheto impresso com endereço, horário de funcionamento e telefone do CRAS do território."

COMENTÁRIO: A metodologia precisa ser concreta. Dizer "foi realizada uma palestra" sem descrever duração, material e dinâmica não atende ao que o roteiro costuma cobrar. O roteiro geralmente quer saber: o que aconteceu, em que sequência, quanto tempo durou cada parte, que material foi usado e como o aluno lidou com imprevistos.

O ponto mais delicado para Serviço Social está no segundo momento. O exemplo mostra a estudante recusando, com educação, a análise de caso individual. Isso não é frieza; é respeito ao Código de Ética e à competência exclusiva do assistente social em exercício. Se o aluno atende o caso ali, ele pratica exercício ilegal da profissão e ainda expõe dados pessoais do morador sem protocolo de sigilo.

Material usado: cartazes feitos à mão ou impressos, folheto com informações públicas do CRAS (endereço, telefone, horário). Não é necessário produzir um "kit profissional". O roteiro valoriza a adequação à linguagem do público, não a sofisticação gráfica.

Cronograma realista de uma disciplina de extensão

TRECHO DO EXEMPLO (fictício): "Semana 1-2: contato com a associação de moradores, apresentação da proposta e obtenção de autorização. Semana 3: estudo do material sobre SUAS, BPC e Bolsa Família; elaboração dos cartazes e do folheto. Semana 4: visita ao local para verificar recursos (cadeiras, espaço, iluminação). Semana 5: realização da roda de conversa. Semana 6: organização das evidências e preenchimento do relatório parcial. Semana 7-8: ajustes solicitados pelo professor e entrega final."

COMENTÁRIO: O cronograma precisa caber no calendário da disciplina. Se o seu semestre tem 16 semanas e a extensão ocupa 8, o cronograma se ajusta a essas 8. Não adianta planejar 12 encontros se o roteiro prevê dois. A quantidade de semanas, encontros e entregáveis varia por curso, matriz e período letivo; confirme no material da sua turma.

Observe que o cronograma reserva tempo antes da ação (contato, estudo, material) e depois (evidências, relatório). Um erro comum é concentrar tudo na semana da execução e não deixar margem para imprevistos — o espaço cancelou, a chuva impediu, o público não compareceu.

Para Serviço Social, inclua no cronograma o tempo de leitura sobre a política pública. O aluno que chega ao território sem saber o básico sobre SUAS corre o risco de repassar informação errada, o que é mais grave do que não realizar a ação.

Evidências reunidas e as que NÃO se deve produzir

TRECHO DO EXEMPLO (fictício): "Foram registradas: (1) duas fotografias da roda de conversa, tiradas de ângulo que não identifica rostos de participantes; (2) uma foto do material impresso entregue; (3) lista de presença com nome e assinatura dos participantes que autorizaram por escrito; (4) breve relato escrito da estudante sobre dúvidas que surgiram."

COMENTÁRIO: Para Serviço Social, o cuidado com a imagem e com dados pessoais é ainda mais rígido do que em outras áreas, porque o público atendido pelo SUAS já é, por definição, em situação de vulnerabilidade. Nunca fotografe rosto de criança, nunca exponha nome de quem fez pergunta sobre benefício, nunca grave áudio sem autorização expressa e por escrito.

O que NÃO produzir: prints de conversas de WhatsApp com moradores relatando situações pessoais; fotos de documentos de terceiros; qualquer registro que permita identificar um caso individual. Se um morador desabafa sobre sua situação durante a roda, isso não vira evidência — vira encaminhamento ao CRAS e silêncio no relatório.

A lista de presença é útil, mas o roteiro pode pedir apenas a quantidade de participantes, sem nome. Verifique o que o seu ambiente acadêmico solicita. Se pedir nome, colete autorização de uso de imagem e dados no mesmo formulário.

Resultado da ação e como medi-lo sem inflar

TRECHO DO EXEMPLO (fictício): "Compareceram 14 moradores (nome fictício, quantidade ilustrativa). Ao final, seis participantes afirmaram que pretendiam procurar o CRAS na semana seguinte. A estudante não acompanhou se a procura efetivamente ocorreu, pois essa verificação cabe ao próprio equipamento. O resultado da ação, para fins de relatório, é: 14 pessoas receberam informação sobre SUAS e critérios de acesso; o material impresso foi distribuído; dúvidas foram respondidas dentro do limite informativo."

COMENTÁRIO: O erro mais comum aqui é o aluno escrever "conseguimos encaminhar 14 famílias ao CRAS" ou "reduzimos a vulnerabilidade da comunidade". Nenhum estudante de graduação, em uma ação pontual, pode afirmar isso. O que se pode dizer é o que aconteceu no momento: quantas pessoas ouviram, quantas receberam material, quantas fizeram perguntas.

Não transforme a ação em indicador de política pública. O resultado é formativo (o que o aluno aprendeu) e informativo (quantas pessoas acessaram a informação). Se o roteiro pede relação com ODS, você pode vincular à meta de redução de desigualdades, mas sem atribuir à sua ação um impacto que só se mede em longo prazo e com método. Para orientação sobre escolha de ODS, consulte a página específica do portal.

Se ninguém apareceu ou apareceram três pessoas, escreva isso. O roteiro valoriza a honestidade. Descreva o que ocorreu, reflita sobre possíveis razões e registre no relatório. Inflar número descredibiliza o trabalho.

Percepção do estudante: o que se aprende escrevendo o projeto

TRECHO DO EXEMPLO (fictício): "Ao redigir o projeto, percebi que a maior dificuldade não foi escolher o tema, mas delimitar o que eu podia e o que eu não podia fazer. A tentação de 'ajudar mais' — pegar o caso da dona Maria, ligar para o CRAS por ela, acompanhar a fila — foi constante. Escrever o objetivo específico 4 ('encaminhar sem atender') me obrigou a aceitar que informar já é uma contribuição legítima e que ultrapassar esse limite seria desrespeitar a profissão que estou escolhendo."

COMENTÁRIO: A percepção não é um resumo da ação. É uma reflexão em primeira pessoa sobre o que o processo de planejar, executar e registrar ensinou ao aluno. O roteiro costuma pedir que o estudante conecte a experiência à formação: o que mudou na compreensão da política social, do território, do papel profissional.

Para Serviço Social, um aprendizado recorrente é justamente o limite entre informação e atendimento. O aluno que registra essa tensão no texto demonstra maturidade profissional. Não é preciso dramatizar; basta descrever o dilema e como ele foi resolvido dentro do escopo da extensão.

Evite frases prontas como "foi uma experiência enriquecedora". Diga o que exatamente foi enriquecedor: a dificuldade de traduzir linguagem jurídica do BPC para fala cotidiana, a surpresa ao perceber que o morador não sabia o endereço do CRAS, a experiência de ser questionado e não ter resposta imediata.

Como adaptar este exemplo ao seu roteiro

Este exemplo usa uma roda de conversa sobre SUAS, mas a estrutura serve para outras ações de Serviço Social: oficina sobre direito à moradia, mapeamento de equipamentos do território, roda sobre prevenção à violência doméstica com encaminhamento à rede. O que permanece é a lógica: informar sem atender, registrar sem expor, refletir sem inflar.

Se o seu roteiro pede seções diferentes — por exemplo, separa "público-alvo" de "local", ou exige um campo de "recursos necessários" —, redistribua os conteúdos deste exemplo nas caixas correspondentes. A ordem e a nomenclatura variam por curso, matriz e período letivo. Consulte o arquivo disponibilizado no seu ambiente acadêmico antes de começar a escrever.

Se a sua disciplina exige vinculação a um programa de extensão institucional ou a uma área temática específica (direitos humanos, saúde, educação), ajuste a justificativa para mencionar essa vinculação. O exemplo aqui não presume edital, bolsa nem orientador designado; ele parte do cenário mais comum: o aluno cumpre uma disciplina e segue um roteiro.

Por fim, se travar em alguma seção, volte às páginas gerais do portal: o guia sobre como fazer projeto de extensão e o guia sobre como escolher local de execução cobrem a estrutura independente do curso. Esta página entra depois, com a camada específica de Serviço Social.

Fontes e cuidados editoriais

Este guia apresenta orientações gerais. Para critérios, formulários e prazos, use sempre o roteiro da sua instituição e documentos oficiais relacionados à atividade.

Consultar informações do MEC