Contexto e problema observado: por que essa ação e não outra

Antes de qualquer trecho, um aviso necessário: tudo nesta página é um exemplo fictício. Nomes de pessoas, bairro, centro comunitário e números foram inventados para ilustrar a redação. Nenhum dado aqui representa uma atividade real já executada.

TRECHO DO EXEMPLO: "Durante as aulas de Recrutamento e Seleção, percebi que os conceitos de triagem, perfil profissional e dinâmica de grupo são apresentados como se o candidato já dominasse códigos básicos do mundo do trabalho. No Centro Comunitário Vila Esperança (nome fictício), bairro Jardim das Acácias (fictício), jovens entre 16 e 19 anos relatam não saber montar um perfil profissional simples nem entender o que se espera deles numa primeira entrevista. Decidi focar nesse hiato: não há vagas a oferecer, mas há informação técnica do curso que pode reduzir a insegurança desses jovens."

COMENTÁRIO: O roteiro da disciplina costuma pedir que o estudante explique a origem da observação. Repare que o trecho ancora o problema em duas pontas: o conteúdo da sala de aula (Recrutamento e Seleção) e a carência percebida na comunidade. Evite frases como "a sociedade precisa de..." sem dizer de onde veio a percepção. O erro mais frequente aqui é descrever um problema genérico de desemprego; o que se espera é um recorte que caiba nas horas da disciplina e que dialogue com uma competência específica do curso de RH.

Público e local: como se chegou até eles

TRECHO DO EXEMPLO: "O público são 18 jovens (número fictício para este exemplo) de 16 a 19 anos que frequentam o turno da tarde no Centro Comunitário Vila Esperança. O contato inicial foi feito pela coordenadora do centro, Dona Marta (personagem fictícia), após eu me apresentar como estudante de Recursos Humanos e propor uma conversa de 20 minutos para entender se havia demanda. Não houve seleção por desempenho escolar nem exigência de documentação pessoal para participar."

COMENTÁRIO: O roteiro geralmente solicita descrever como o vínculo com o local foi estabelecido. O trecho mostra um caminho simples: apresentação pessoal, escuta breve e aceite da coordenação do espaço. Note o que o exemplo NÃO faz: não promete emprego, não coleta CPF, endereço ou histórico escolar, e não cria expectativa de vaga. Em Recursos Humanos, esse limite é central. Se a atividade envolvesse cadastro de currículo real, haveria tratamento de dado pessoal e a responsabilidade mudaria de natureza. Para a disciplina, mantenha a ação no campo da orientação e da simulação educativa.

Objetivo geral e específicos: escritos como o roteiro costuma pedir

TRECHO DO EXEMPLO: "Objetivo geral: proporcionar a jovens de 16 a 19 anos um primeiro contato estruturado com conceitos de apresentação profissional, linguagem em processos seletivos e direitos trabalhistas básicos, sem promessa de encaminhamento a vagas. Objetivos específicos: (1) explicar, em linguagem acessível, o que compõe um perfil profissional e como organizá-lo; (2) conduzir uma dinâmica de grupo simulada para que os participantes vivenciem o formato sem pressão avaliativa; (3) apresentar noções de jornada, vínculo e remuneração previstas na legislação, como informação cidadã."

COMENTÁRIO: A maioria dos roteiros pede um objetivo geral no infinitivo e de dois a quatro específicos. O que diferencia um bom objetivo em RH é o verbo de ação observável: "explicar", "conduzir", "apresentar". Evite verbos vagos como "sensibilizar" ou "contribuir" se o roteiro não os aceita. Repare também na trava de segurança: "sem promessa de encaminhamento a vagas". Isso protege o estudante de parecer que está intermediando mão de obra, o que não é papel de uma disciplina de extensão. Consulte o roteiro oficial no seu ambiente acadêmico para verificar se o formato exigido é em tópicos ou em parágrafo corrido.

Justificativa ligada ao curso de Recursos Humanos

TRECHO DO EXEMPLO: "A disciplina de Recrutamento e Seleção fornece o arcabouço técnico: critérios de triagem, estrutura de entrevista, condução de dinâmicas. A extensão permite exercitar essas competências fora do laboratório de aula, adaptando a linguagem a quem nunca teve contato com um processo seletivo. Além disso, a disciplina de Legislação Trabalhista do curso sustenta o terceiro objetivo específico, transformando informação jurídica em material compreensível para quem ainda não assinou um contrato."

COMENTÁRIO: O erro mais comum na justificativa de RH é escrever sobre "a importância do capital humano" em termos abstratos. O roteiro espera que o aluno nomeie disciplinas ou competências concretas do próprio curso. Se você ainda não cursou Legislação Trabalhista, por exemplo, não a inclua como base; cite o que já estudou. A justificativa também precisa explicar por que a extensão é o formato adequado, e não um estágio ou um trabalho de conclusão. Aqui, o argumento é: a comunidade não tem acesso a esse conhecimento técnico, e a universidade tem o dever de devolvê-lo em linguagem acessível.

Metodologia: o que foi feito, em que ordem, com que material

TRECHO DO EXEMPLO: "Encontro 1 (duas horas): exposição dialogada sobre o que é um perfil profissional, com cartaz impresso em folha A3 e exercício em que cada jovem preenche, em papel entregue na hora, um esquema de habilidades e interesses — sem nome completo, sem foto, sem entrega posterior. Encontro 2 (duas horas): dinâmica de grupo simulada. Os participantes recebem um cenário fictício ('uma empresa de logística precisa organizar um mutirão de entregas') e discutem em equipe. Eu observo e, ao final, devolvo percepções sobre comunicação e escuta, sem nota e sem ranking. Encontro 3 (duas horas): roda de conversa sobre noções de vínculo empregatício, jornada e remuneração, usando linguagem cotidiana. Material: cartazes, canetas, folha impressa com o cenário da dinâmica e um quadro-resumo de direitos."

COMENTÁRIO: A metodologia é onde o roteiro verifica se a ação é exequível dentro da carga horária da disciplina. Note que cada encontro tem duração, recurso material e formato de participação definidos. Em RH, a metodologia precisa deixar claro que não há coleta de dado pessoal: o exercício de habilidades é preenchido e descartado ou fica com o próprio jovem. A dinâmica simulada usa cenário fictício, não uma empresa real. Se o seu roteiro pede referencial teórico, acrescente uma ou duas fontes que o professor indicou em aula; não invente citação. Para entender a estrutura geral de um projeto, consulte a página como-fazer-projeto-de-extensao.

Cronograma realista de uma disciplina

TRECHO DO EXEMPLO: "Semana 1–2: contato com o centro comunitário e confirmação de datas. Semana 3: elaboração dos materiais (cartaz, cenário da dinâmica, quadro-resumo). Semana 4: Encontro 1. Semana 5: Encontro 2. Semana 6: Encontro 3. Semana 7: reunião de encerramento com a coordenação do centro e organização das evidências. Semana 8: redação do relatório final."

COMENTÁRIO: Oito semanas é um recorte fictício para caber num semestre típico, mas o prazo real depende da matriz curricular, do calendário letivo e das orientações do professor responsável. Não trate este cronograma como regra. O ponto que o roteiro costuma avaliar é a proporção: tempo de preparação maior ou igual ao tempo de execução, e uma semana reservada para evidências e relatório. Se a sua disciplina prevê encontros quinzenais ou carga menor, ajuste. O que não pode faltar é a etapa de contato prévio com o local antes de qualquer atividade com o público.

Evidências reunidas e as que NÃO se deve produzir

TRECHO DO EXEMPLO: "Reuni: três fotos por encontro mostrando a disposição da sala e os cartazes (nenhuma foto com rosto dos jovens em destaque); uma cópia em branco do cenário da dinâmica; o quadro-resumo de direitos usado na roda de conversa; um breve relato escrito da coordenação do centro confirmando a realização dos três encontros. Não produzi: filmagem dos participantes, lista de presença com nome completo, gravação de áudio da dinâmica, nem qualquer formulário que pedisse endereço, telefone ou CPF."

COMENTÁRIO: Em Recursos Humanos, o cuidado com dado pessoal é mais sensível do que em outras áreas, porque a formação lida diretamente com informações de trabalhadores e candidatos. O roteiro pode pedir evidências, mas isso não autoriza registrar rosto, voz ou dado identificável de menor de idade sem consentimento formal do responsável — e, para uma disciplina de extensão curta, o caminho mais seguro é simplesmente não coletar. Fotos de mãos, cartazes, disposição de cadeiras e materiais em branco cumprem a função de comprovar a atividade sem expor ninguém. Para detalhes sobre registros, consulte a página de evidências do portal.

Resultado da ação e como medi-lo sem inflar

TRECHO DO EXEMPLO: "Ao final dos três encontros, 14 dos 18 jovens presentes (números fictícios) conseguiram preencher o esquema de habilidades sem auxílio e participaram da dinâmica simulada. Não houve aplicação de teste pré e pós, nem métrica de aproveitamento. O resultado que registro é qualitativo: a coordenação do centro relatou que os jovens passaram a perguntar sobre estágios por conta própria nas semanas seguintes, e os próprios participantes verbalizaram, na roda final, que a dinâmica 'parecia menos assustadora' do que imaginavam."

COMENTÁRIO: O erro mais recorrente em projeto de RH é inflar resultado com percentuais de "empregabilidade" ou "aproveitamento" que ninguém mediu de verdade. O roteiro costuma aceitar descrição qualitativa: o que se observou, o que os participantes disseram, o que a instituição parceira notou. Se quiser um indicador simples, conte presença e participação voluntária, mas não transforme isso em taxa de sucesso. Evite frases como "100% dos jovens saíram preparados para o mercado". Para aprofundar a escrita dessa seção, a página sobre resultado da ação no relatório traz orientações específicas.

Percepção do estudante: o que se aprende escrevendo o projeto

TRECHO DO EXEMPLO: "Escrever este projeto me obrigou a traduzir termos técnicos de RH — triagem, perfil comportamental, dinâmica avaliativa — para uma linguagem que um jovem de 17 anos entende sem se sentir avaliado. Percebi que a habilidade mais difícil não foi planejar a atividade, e sim aceitar que eu não teria controle sobre a reação do grupo. Na dinâmica simulada, dois participantes ficaram em silêncio o tempo inteiro, e o roteiro não previa o que fazer. Tive de improvisar uma pergunta aberta sem pressionar. Isso me ensinou que a técnica de condução de grupo, que a faculdade apresenta em teoria, só ganha corpo quando alguém real fica quieto na sua frente."

COMENTÁRIO: A seção de percepção não é resumo do que foi feito; é reflexão sobre o que a experiência mudou na sua formação. Em RH, o ganho costuma aparecer na passagem do jargão técnico para a comunicação acessível e na lida com imprevistos de grupo. O roteiro pode chamar essa seção de "reflexão", "aprendizado" ou "percepção das atividades extensionistas" — o nome varia por curso e matriz. Escreva em primeira pessoa, cite uma dificuldade concreta e o que você faria diferente. Não transforme em autoelogio nem em lista genérica de competências.

Como adaptar este exemplo ao seu roteiro

Este exemplo foi construído para uma oficina de três encontros com jovens, mas a mesma lógica de redação serve para outras ações em Recursos Humanos: uma palestra sobre direitos trabalhistas para feirantes, uma roda de conversa sobre saúde mental no primeiro emprego, ou uma simulação de feedback para adolescentes em medida socioeducativa. O que não muda é a estrutura: problema observado com origem clara, público definido sem coleta de dado pessoal, objetivos com verbo de ação, metodologia exequível e evidências que respeitem a privacidade.

O que muda, e precisa ser verificado por você, é o formato que o seu roteiro exige. Algumas disciplinas pedem o projeto em formulário próprio do ambiente acadêmico, outras em texto corrido, outras em tópicos. A quantidade de encontros, a carga horária mínima e os campos obrigatórios variam por curso, matriz e período letivo. Não tome este exemplo como modelo a copiar palavra por palavra; use-o como referência de raciocínio. Abra o roteiro que o seu professor disponibilizou no ambiente acadêmico e confira, seção por seção, se há campo ou requisito que este exemplo não cobre. Se houver, complemente com base nas orientações recebidas em aula.

Fontes e cuidados editoriais

Este guia apresenta orientações gerais. Para critérios, formulários e prazos, use sempre o roteiro da sua instituição e documentos oficiais relacionados à atividade.

Consultar informações do MEC