Antes de começar: este exemplo é fictício
Tudo o que você vai ler abaixo — nomes, bairro, centro comunitário, número de participantes — foi inventado para fins didáticos. Nenhuma ação descrita aqui foi realizada de verdade. O objetivo é mostrar como cada seção de um projeto de extensão em Enfermagem costuma ser redigida, para que você adapte a estrutura ao roteiro que recebeu no seu ambiente acadêmico.
Se ainda não leu o guia geral sobre o que é extensão universitária e o passo a passo de montagem do projeto, consulte as páginas /projeto-de-extensao/ e /como-fazer-projeto-de-extensao/ antes de seguir. Aqui partimos do pressuposto de que você já entende a lógica e precisa ver a aplicação prática na sua área.
Limite profissional que atravessa todo o exemplo: o estudante de Enfermagem em atividade de extensão orienta, educa e informa. Ele não realiza procedimento invasivo, não faz triagem clínica, não prescreve conduta. Se o roteiro da sua disciplina permitir algo além, isso estará escrito nele — e é lá que você confirma.
Contexto e problema observado: por que esta ação e não outra
Trecho do exemplo (fictício): "Durante as aulas práticas de Saúde Coletiva, a turma do 4.º período observou que cuidadores informais de idosos na região do bairro Jardim das Acácias relatavam dúvidas recorrentes sobre higiene das mãos e ventilação de ambientes para prevenir infecções respiratórias. Não havia, segundo a coordenação do Centro Comunitário Vila Esperança, nenhuma atividade educativa regular sobre o tema nos últimos dois anos."
Comentário: o roteiro geralmente pede que o estudante explique de onde veio a percepção do problema. Note que o trecho ancora a observação em uma experiência concreta da disciplina (aula prática de Saúde Coletiva) e em uma fala da instituição parceira. Isso evita a justificativa genérica do tipo "a comunidade precisa de conscientização". O erro mais comum aqui é descrever um problema amplo demais — "falta de saúde no bairro" — em vez de um recorte que caiba em uma ação de poucas semanas.
Em Enfermagem, resista à tentação de transformar o contexto em diagnóstico epidemiológico com números que você não verificou. Se quiser citar prevalência de infecções, por exemplo, indique a fonte e o ano. Sem fonte, descreva a percepção qualitativa, como no trecho acima.
Público e local: quem participa e como se chegou até eles
Trecho do exemplo (fictício): "A ação se destina a cuidadores informais — familiares ou vizinhos sem formação técnica — que acompanham idosos com 60 anos ou mais no cotidiano. O local é o salão multiuso do Centro Comunitário Vila Esperança, cedido pela associação de moradores mediante contato telefônico feito pela própria turma. A estimativa é receber entre 12 e 20 participantes por encontro."
Comentário: três pontos que o roteiro costuma exigir e que aparecem aqui: (1) definição clara de quem é o público, evitando "população em geral"; (2) identificação do espaço físico e de quem autorizou o uso; (3) faixa de participantes que seja realista para uma disciplina. Se você colocar 200 pessoas em uma roda de conversa, o avaliador vai questionar a viabilidade.
Observe que o trecho não menciona cadastro em plataforma de extensão nem assinatura de termo de parceria. Esses procedimentos variam por curso, matriz curricular e período letivo. Verifique no roteiro oficial da sua disciplina se há formulário próprio ou se a articulação informal basta.
Objetivo geral e objetivos específicos: como o roteiro costuma pedir
Trecho do exemplo (fictício): "Objetivo geral: Promover um espaço educativo sobre higiene das mãos e prevenção de infecções respiratórias para cuidadores informais de idosos do bairro Jardim das Acácias. Objetivos específicos: 1) Demonstrar a técnica correta de lavagem das mãos com água e sabão, seguindo as etapas reconhecidas pela literatura de enfermagem; 2) Orientar sobre ventilação de ambientes e etiqueta respiratória; 3) Distribuir material impresso com passo a passo ilustrado para consulta posterior; 4) Abrir espaço para dúvidas e troca de experiências entre os cuidadores."
Comentário: o verbo "promover" no objetivo geral é amplo o suficiente para abarcar a ação inteira sem prometer resultado clínico. Nos específicos, note que todos são verbos de ação educativa: demonstrar, orientar, distribuir, abrir espaço. Nenhum é "realizar triagem", "avaliar estado de saúde" ou "encaminhar para atendimento". Isso respeita o limite do estudante em extensão.
Erro frequente: confundir objetivo com atividade. "Fazer uma palestra" é atividade (vai na metodologia). "Ampliar o conhecimento dos participantes sobre X" é objetivo. Se o seu roteiro separa os dois campos, mantenha essa distinção.
Justificativa ligada ao curso de Enfermagem
Trecho do exemplo (fictício): "A ação se articula com os conteúdos de Saúde Coletiva, Educação em Saúde e Fundamentos de Enfermagem, disciplinas já cursadas ou em curso no 4.º período. Ao planejar e conduzir a roda de conversa, o estudante exercita a comunicação terapêutica, a adaptação de linguagem técnica para leigos e o planejamento de intervenções educativas — competências previstas nas diretrizes curriculares do curso."
Comentário: a justificativa não é o lugar para defender que "enfermagem é importante para a sociedade". O roteiro espera que você conecte a ação a componentes curriculares concretos do seu período. Cite disciplinas pelo nome, mencione habilidades que o projeto exercita e, se o roteiro pedir, indique em qual eixo da matriz a atividade se encaixa (ensino, pesquisa ou extensão).
Varia por instituição se é necessário citar a resolução do CNE ou as DCNs. Não afirme que tal documento é obrigatório no seu caso sem conferir no roteiro entregue pela coordenação.
Metodologia: o que foi feito, em que ordem, com que material
Trecho do exemplo (fictício): "A ação consiste em uma roda de conversa de 90 minutos, dividida em quatro momentos: (1) acolhida e apresentação dos participantes (10 min); (2) demonstração prática da técnica de lavagem das mãos com uso de tinta guache e luz negra para evidenciar áreas não alcançadas (25 min); (3) exposição dialogada sobre ventilação e etiqueta respiratória, com apoio de cartazes ilustrados (25 min); (4) roda de dúvidas e entrega do material impresso (30 min). Não há coleta de dados clínicos, aferição de sinais vitais nem qualquer procedimento assistencial."
Comentário: a metodologia precisa ser sequencial e concreta. Quem lê deve conseguir reproduzir a ordem dos fatos. O detalhe da tinta guache com luz negra é um recurso didático comum em educação em saúde; ele ilustra sem transformar a atividade em procedimento clínico. A última frase do trecho é intencional: declarar o que a ação NÃO faz protege o estudante e deixa claro o escopo educativo.
Se o seu roteiro pedir referencial teórico, cite aqui a fonte do material educativo que você produziu (por exemplo, as etapas de lavagem das mãos descritas em manuais de biossegurança). Não invente autor nem ano de publicação.
Cronograma realista de uma disciplina
Trecho do exemplo (fictício): "Semana 1–2: contato com o centro comunitário, confirmação de data e levantamento de materiais. Semana 3: elaboração do cartaz e do folheto impresso, revisão com o docente responsável pela disciplina. Semana 4: ensaio da roda de conversa entre os colegas de grupo. Semana 5: realização da ação no Centro Comunitário Vila Esperança. Semana 6: organização das evidências e redação do relatório parcial. Semanas 7–8: ajustes solicitados pelo docente e entrega do relatório final."
Comentário: oito semanas é uma faixa comum em disciplinas semestrais, mas o prazo exato depende do calendário da sua instituição e do período letivo. Não copie este cronograma como se fosse regra. Use-o para calibrar a sequência: contato antes, produção de material depois, ensaio antes da ação, registro depois.
Erro recorrente: concentrar tudo nas duas últimas semanas. O roteiro costuma valorizar a distribuição do esforço, porque extensão não é trabalho de véspera.
Evidências: o que reunir e o que NÃO produzir
Trecho do exemplo (fictício): "Como evidência da realização, o grupo reuniu: três fotografias do salão durante a atividade (sem rosto identificável de participantes), lista de presença assinada pelos cuidadores, uma cópia do folheto distribuído e anotações de campo feitas por um integrante designado. Não foram gravados áudios nem vídeos. Não foram coletados dados de saúde, prontuários ou qualquer informação clínica dos participantes."
Comentário: em Enfermagem, a tentação de fotografar "o momento do cuidado" pode esbarrar em exposição indevida. A regra segura é: imagem sem rosto identificável ou com autorização por escrito registrada. Se o roteiro da sua disciplina exigir vídeo, verifique se há termo de uso de imagem específico. Na dúvida, pergunte ao docente antes de gravar.
O que NÃO produzir: qualquer registro que simule atendimento clínico, ficha de triagem, aferição de pressão ou glicemia, prescrição de cuidado. Mesmo que alguém peça, a ação educativa não inclui conduta assistencial. Para detalhes sobre tipos de evidência aceitos, consulte a página /evidencias/ deste portal.
Resultado da ação: como descrever sem inflar
Trecho do exemplo (fictício): "Compareceram 14 cuidadores. Ao final da roda, todos os presentes participaram da demonstração prática e ao menos oito fizeram perguntas sobre situações do cotidiano, como higiene das mãos ao trocar curativos simples em casa. Não se aplicou questionário de conhecimento antes e depois, de modo que não é possível afirmar ganho de aprendizagem mensurável. O resultado observado é qualitativo: engajamento na atividade e devolução oral positiva por parte dos participantes."
Comentário: note a honestidade do trecho. O estudante não diz que "houve melhoria de 80% no conhecimento" porque não mediu. Ele descreve o que de fato aconteceu: presença, participação, perguntas. Se o seu roteiro exigir indicador quantitativo, defina antes da ação como vai medir (por exemplo, um quiz rápido de três perguntas no início e no fim). Mas não invente percentual depois.
Para aprofundar como redigir essa seção no relatório, a página /relatorio-final/resultado-da-acao/ trata do assunto com mais detalhe.
Percepção do estudante: o que se aprende escrevendo o projeto
Trecho do exemplo (fictício): "Planejar esta roda de conversa exigiu que o grupo traduzisse termos técnicos — como 'fricção interdigital' e 'etiqueta respiratória' — para linguagem acessível sem perder precisão. Isso revelou a distância entre saber o conteúdo e conseguir ensiná-lo. Além disso, o contato com o centro comunitário mostrou que a logística (cadeiras, horário, confirmação de presença) consome tanto tempo quanto a preparação do conteúdo em si."
Comentário: a seção de percepção não é lugar para frase motivacional genérica. O roteiro espera reflexão situada: o que você descobriu que não sabia antes de começar? Onde travou? O que mudaria se fizesse de novo? Ancore em fatos do seu projeto, não em declarações sobre "a importância da extensão para a sociedade".
Para orientação específica sobre como redigir essa parte no relatório final, consulte /relatorio-final/percepcao/.
Como adaptar este exemplo ao roteiro da sua disciplina
Este exemplo fictício segue uma sequência lógica — contexto, público, objetivos, justificativa, metodologia, cronograma, evidências, resultado, percepção — que aparece na maioria dos roteiros de extensão em Enfermagem. Mas a ordem, os nomes dos campos e o nível de detalhe variam conforme o curso, a matriz curricular e o período letivo em que você está matriculado.
Abra o roteiro disponível no seu ambiente acadêmico (geralmente no portal da disciplina ou no AVA da instituição) e compare seção por seção com o que leu aqui. Se o roteiro pedir um campo que não está neste exemplo — por exemplo, vinculação a um ODS ou carga horária mínima —, inclua conforme a orientação do documento. Se pedir menos campos, não acrescente por conta própria.
Por fim: a ideia escolhida aqui (roda de conversa sobre higiene das mãos) é apenas uma entre várias possibilidades. Se quiser explorar outros temas antes de decidir, consulte a página /cursos/enfermagem/ideias/ deste portal, que reúne dez ações diferentes com o mesmo enquadramento educativo.
Fontes e cuidados editoriais
Este guia apresenta orientações gerais. Para critérios, formulários e prazos, use sempre o roteiro da sua instituição e documentos oficiais relacionados à atividade.
Consultar informações do MEC