1. O problema que deu origem à ação
O exemplo a seguir é inteiramente fictício. Os nomes, o bairro, a escola, as quantidades e os demais detalhes foram inventados para mostrar uma forma possível de preencher um projeto de extensão em Administração. A proposta escolhida acompanha uma única ação do começo ao fim: uma oficina coletiva sobre organização financeira e formação de preço para pequenos empreendedores de uma comunidade.
Trecho do exemplo: "Durante uma conversa inicial com moradores do bairro fictício Jardim das Palmeiras, em Santa Aurora, percebemos que pequenos empreendedores locais relatavam dificuldade para separar dinheiro pessoal e dinheiro do negócio, registrar despesas e calcular preços de venda. A ação foi definida a partir desse problema observado, em vez de oferecer uma orientação administrativa individual a apenas um comerciante."
Comentário: o trecho apresenta uma situação administrativa concreta e explica por que aquela ação foi escolhida. Para uma atividade de Administração, o problema pode ser relacionado a organização, planejamento, processos, custos, atendimento ou tomada de decisão, desde que esteja ligado ao contexto encontrado. O ponto importante é não inventar uma necessidade depois de escolher a atividade. O problema deve aparecer antes da solução.
Outro cuidado está no alcance da ação. Uma atividade destinada exclusivamente a organizar as contas de uma única empresa se aproxima de uma consultoria individual gratuita. Neste exemplo, o foco é coletivo: um grupo de pequenos empreendedores participa da mesma atividade e recebe materiais e orientações que podem ser utilizados de maneira autônoma.
- Exemplo fictício: problema observado = dificuldade coletiva de organizar receitas, despesas e formação de preço.
- Evite transformar a seção em uma justificativa genérica sobre a importância da Administração.
- Não invente entrevistas, diagnósticos ou resultados que não tenham ocorrido na atividade real.
2. Quem participou e como o grupo foi encontrado
Trecho do exemplo: "O público definido foi formado por pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos do bairro fictício Jardim das Palmeiras, em Santa Aurora. O primeiro contato ocorreu por meio da Associação Comunitária Nova Esperança, que divulgou o convite entre participantes de suas atividades. A oficina foi planejada para um grupo, sem atendimento financeiro individual durante o encontro."
Comentário: esta seção precisa deixar claro quem se beneficia da ação e como o estudante chegou a esse público. Em Administração, é especialmente útil mostrar a relação entre o perfil dos participantes e o problema escolhido. Um grupo de vendedores autônomos, por exemplo, pode apresentar questões administrativas diferentes das encontradas em uma associação cultural ou em uma escola.
O local também não precisa ser apresentado como se fosse escolhido apenas porque havia uma sala disponível. O trecho fictício relaciona o espaço ao acesso ao público. Se o estudante realmente realizar a atividade em uma associação, escola, centro comunitário ou outro local, deve registrar como ocorreu o contato e quais condições foram combinadas. Se a instituição acadêmica exigir informações específicas sobre o local, elas devem seguir o roteiro oficial disponível no ambiente acadêmico.
Neste exemplo, os nomes são propositalmente inventados. Em uma atividade real, não substitua automaticamente o nome da instituição ou do local por nomes fictícios. Use as informações permitidas pelo roteiro e observe cuidados de privacidade quando houver identificação de participantes.
- Público fictício: pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos.
- Local fictício: Associação Comunitária Nova Esperança, no bairro fictício Jardim das Palmeiras.
- A entrega é coletiva, e não uma consultoria administrativa para um único proprietário.
3. Objetivos que cabem na atividade
Trecho do exemplo: "Objetivo geral: realizar uma oficina coletiva de organização financeira básica e formação de preço para pequenos empreendedores participantes da Associação Comunitária Nova Esperança. Objetivos específicos: apresentar uma forma simples de registrar receitas e despesas; demonstrar a separação entre gastos pessoais e gastos do negócio; exercitar uma estrutura básica de formação de preço; e verificar, ao final, quais conceitos foram compreendidos pelos participantes."
Comentário: o objetivo geral delimita a ação inteira. Já os objetivos específicos quebram essa proposta em entregas observáveis. Em vez de escrever que a ação pretende "transformar a gestão dos participantes" ou "resolver os problemas financeiros da comunidade", o exemplo usa verbos compatíveis com uma oficina que realmente pode ser executada por estudantes durante uma disciplina.
Também é importante evitar objetivos que dependam de um resultado que o estudante não consegue controlar. Ensinar uma técnica, propor um exercício e verificar a compreensão são atividades possíveis de registrar. Garantir aumento de lucro, crescimento das vendas ou melhoria permanente da gestão exigiria acompanhamento e evidências que normalmente não cabem em uma ação pontual.
4. A relação com Administração
Trecho do exemplo: "A proposta está relacionada ao curso de Administração porque trabalha conteúdos de planejamento, organização financeira, controle de informações e apoio à tomada de decisão. A oficina utiliza situações simplificadas de pequenos negócios para aproximar conceitos estudados na graduação de uma necessidade apresentada pelo público participante."
Comentário: a justificativa precisa explicar a conexão entre a formação acadêmica e a atividade escolhida. Apenas escrever que "Administração é importante para a sociedade" não mostra essa relação. Neste caso fictício, a ligação aparece nos conteúdos mobilizados durante a oficina e na forma como eles são traduzidos para uma situação compreensível ao público.
Uma boa justificativa também não precisa prometer impacto econômico. O estudante pode explicar por que determinado conhecimento administrativo é pertinente ao problema observado e por que uma atividade educativa coletiva é adequada ao público. Se o roteiro do curso pedir uma fundamentação específica, ela deve ser organizada conforme esse documento, sem presumir campos ou exigências que podem variar entre cursos, matrizes e períodos letivos.
5. Metodologia: da preparação à oficina
Trecho do exemplo: "Na primeira etapa, os estudantes organizaram os relatos iniciais em três temas: registro de movimentações, separação de despesas e formação de preço. Depois, prepararam uma apresentação curta, uma planilha fictícia de receitas e despesas e exercícios impressos. No encontro, a atividade começou com uma conversa sobre situações comuns de controle financeiro, seguida de demonstração, exercício em pequenos grupos, correção coletiva e espaço final para dúvidas. Ao término, os participantes receberam uma síntese dos procedimentos apresentados."
Comentário: a metodologia deve permitir que outra pessoa entenda o que foi feito, em qual sequência e com quais recursos. Em uma ação de Administração, isso pode incluir planilhas, formulários, fluxos de processo, exemplos de custos, exercícios de planejamento ou materiais de apoio. O material precisa servir à atividade; não é necessário produzir documentos complexos apenas para aumentar o volume do projeto.
O uso de dados fictícios é particularmente adequado para a oficina descrita. Em vez de solicitar que participantes exponham faturamento, dívidas ou outras informações pessoais, o exercício pode utilizar uma pequena empresa imaginária. Isso mantém a discussão relacionada à Administração sem transformar a aula em análise financeira individual.
Se a ação real tiver outra sequência, o relatório deve contar o que efetivamente aconteceu. O estudante não deve copiar a metodologia fictícia e registrar etapas que não realizou apenas porque parecem mais completas.
- Material fictício usado no exemplo: planilha de receitas e despesas, apresentação e exercícios impressos.
- Sequência fictícia: conversa inicial, demonstração, exercício, correção coletiva e dúvidas.
- Não use dados financeiros reais de participantes quando eles não forem necessários para cumprir a atividade.
6. Um cronograma possível para a disciplina
Trecho do exemplo: "Semana 1: contato com a instituição e definição do público. Semana 2: levantamento do problema e delimitação da oficina. Semana 3: preparação dos materiais e teste dos exercícios. Semana 4: realização da oficina. Semana 5: organização das evidências e registro dos resultados observados. Semana 6: elaboração da reflexão final sobre a atividade."
Comentário: este cronograma é apenas fictício e não representa uma duração obrigatória para disciplinas de extensão. O calendário real depende do curso, da matriz curricular, do período letivo e das orientações recebidas pelo estudante. A função do exemplo é mostrar que a execução pode ser distribuída em etapas, evitando deixar contato, preparação, ação e documentação para o último momento.
O cronograma também deve corresponder ao que realmente será feito. Se a instituição parceira só puder receber a turma em determinada data, isso precisa ser considerado. Se houver apenas um encontro, não é necessário criar várias semanas de execução artificialmente. O planejamento deve ser compatível com a carga e com as condições efetivas da disciplina.
7. Evidências: registrar sem fabricar
Trecho do exemplo: "Foram reunidos, durante a execução fictícia, o registro da atividade, fotografias do espaço e dos materiais utilizados, uma lista de participação elaborada de acordo com as orientações recebidas e cópias dos exercícios utilizados na oficina. As imagens foram planejadas para contextualizar a ação, evitando exposição desnecessária dos participantes."
Comentário: evidência não é sinônimo de quantidade de fotos. O objetivo é demonstrar que a atividade descrita aconteceu e permitir que o registro tenha contexto. Dependendo do roteiro acadêmico, podem ser pertinentes registros da atividade, materiais produzidos, fotografias, documentos de participação ou outros elementos solicitados.
Não se deve produzir uma fotografia falsa para preencher uma etapa, alterar a data de uma imagem, simular uma atividade que não ocorreu ou inventar depoimentos. Também não é adequado fotografar documentos pessoais, informações financeiras ou rostos de participantes sem necessidade e sem observar os procedimentos de consentimento e privacidade aplicáveis ao contexto.
Neste exemplo, todas as evidências mencionadas são fictícias. Na atividade real, reúna somente aquilo que de fato aconteceu e siga as orientações do roteiro acadêmico. Para cuidados específicos sobre registros, consulte também a página sobre evidências do projeto de extensão.
- Não invente fotos, assinaturas, depoimentos, listas de presença ou resultados.
- Prefira evidências que mostrem atividade, contexto e material utilizado.
- Evite expor dados pessoais ou financeiros desnecessários.
8. Resultado da ação: o que pode ser medido
Trecho do exemplo: "Ao final da oficina fictícia, os participantes responderam a três questões sobre os conceitos apresentados e realizaram um exercício de separação entre despesas pessoais e despesas do negócio. O resultado observado foi registrado pela equipe a partir das respostas e das dúvidas apresentadas durante a correção coletiva. Não foi atribuída à oficina qualquer afirmação sobre aumento de vendas ou melhoria financeira futura."
Comentário: resultado precisa estar ligado ao que a ação efetivamente conseguiu observar. Neste caso, faz sentido verificar se os participantes conseguiram aplicar o conteúdo trabalhado no exercício. Seria inadequado concluir, imediatamente após uma oficina, que os negócios passaram a lucrar mais ou que a gestão financeira foi definitivamente transformada.
Medir sem inflar significa escolher indicadores proporcionais à atividade. Podem ser registrados, quando fizerem sentido e forem realmente coletados, participação, conclusão de exercícios, respostas a perguntas, dúvidas recorrentes ou percepção declarada pelos participantes. O texto final deve separar aquilo que foi observado daquilo que seria apenas uma expectativa futura.
Se a atividade real não tiver utilizado questionário ou exercício avaliativo, não crie esses dados depois. Descreva as evidências que existem e explique o que elas permitem concluir, sem preencher lacunas com números inventados.
9. O que o estudante aprende ao escrever o projeto
Trecho do exemplo: "A elaboração da atividade fictícia mostrou que um conhecimento administrativo precisa ser traduzido para a realidade e para o nível de compreensão do público. Ao estruturar a oficina, o estudante percebe que identificar um problema, definir uma entrega coletiva, selecionar materiais e estabelecer uma forma de observar os resultados são decisões diferentes, embora estejam relacionadas."
Comentário: esta parte deve sair do relato operacional e registrar a percepção do estudante. Em Administração, uma reflexão consistente pode abordar a diferença entre conhecer uma ferramenta e saber aplicá-la em determinado contexto. Também pode mostrar que uma solução tecnicamente correta pode ser inadequada se não considerar o público, o tempo disponível ou os recursos existentes.
O aprendizado não precisa ser descrito com frases grandiosas. Uma observação específica sobre a experiência costuma ser mais útil do que afirmar que a atividade foi simplesmente "muito enriquecedora". Se o estudante descobriu, por exemplo, que uma planilha complexa dificultaria o uso pelo público e precisou simplificá-la, essa mudança pode se tornar uma reflexão concreta sobre comunicação e gestão.
10. Como adaptar o exemplo ao seu roteiro
Trecho do exemplo: "O projeto fictício será adaptado antes do preenchimento do roteiro acadêmico. O estudante substituirá o público, local, problema, objetivos, etapas, datas e evidências pelos dados da atividade que realmente realizou, mantendo somente a lógica de organização que fizer sentido para o seu caso."
Comentário: este exemplo não deve ser copiado como se fosse um projeto realizado. Ele funciona como referência para entender a relação entre as partes: o problema justifica a escolha da ação; o público determina a forma de abordagem; os objetivos delimitam a entrega; a metodologia descreve a execução; o cronograma organiza o trabalho; as evidências documentam o que aconteceu; e os resultados mostram apenas aquilo que pode ser sustentado pelos registros.
As exigências acadêmicas podem variar conforme curso, matriz e período letivo. Por isso, antes de adaptar qualquer exemplo, compare o conteúdo com o roteiro oficial disponível no ambiente acadêmico do aluno. Se houver diferença entre o roteiro e a estrutura deste exemplo, o documento institucional do seu curso é a referência para campos, instruções e critérios.
Para entender a estrutura mais ampla antes de preencher as partes específicas, consulte as páginas do portal sobre projeto de extensão e sobre como fazer um projeto de extensão. Para Administração, a principal adaptação está em escolher um problema administrativo real do público e transformá-lo em uma ação coletiva, educativa e compatível com o que a disciplina permite executar.
Fontes e cuidados editoriais
Este guia apresenta orientações gerais. Para critérios, formulários e prazos, use sempre o roteiro da sua instituição e documentos oficiais relacionados à atividade.
Consultar informações do MEC